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Publicado em 26/01/2017 | por Livia Marina

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Uma viagem ao passado

Quero começar o ano contando as minhas últimas aventuras de 2016, que tão bem fizeram à minha alma e à minha família. Os leitores que me acompanham sabem que já não tenho mais meus pais nesta jornada da vida, para aqueles que estão chegando agora, eu perdi minha mãe aos 16 anos e minha primogênita nasceu 20 dias depois do meu pai falecer (contei essa história neste post aqui). Dentre tantas coisas, quando perdemos os pais perdemos também a nossa referência. É um pouco complicado lidar com a sua história tendo perdido essa referência. Meus filhos, quando vão para casa dos avós paternos, voltam sempre com uma história de “quando o papai era pequeno”, e não raras as vezes a minha filha Luiza pergunta: “Mãe, como era quando você era criança?”ou “Quais os brinquedos que você gostava?”. Então, ao mesmo tempo, sou narradora e protagonista da minha história. Em algumas ocasiões, quando estamos com a minha irmã, contamos fatos da nossa época de criança, mas se existe alguma divergência dos fatos não há uma referência a quem perguntar ou tirar as dúvidas. É incrível como nos acostumamos a conviver com essas estranhezas da vida… Vamos crescendo e cada dia mais nos distanciando de tantos casos e cada vez mais ficam os cheiros, as lembranças e a ideia de termos vivido alguma coisa que nem sempre sabemos nomear ou lembrar nitidamente.

Acontece que nem só com pai e mãe reside a nossa história, ainda mais quando se tem uma família grande!!! Tenho 8 tios de cada lado, mais suas esposas e maridos e um punhado de primos – esses eu tenho aos montes. Então imagina o punhadinho de história de cada um, que livro não daria? Talvez tenha sido isso que eu busquei inconscientemente nesse fim de ano.

Mas bem diferente de contar a história, o que vi foi a história se repetindo na vida dos meus filhos. Tinha acabado de chegar de Apucarana, onde passei o Natal, troquei as malas, peguei as crianças e fui de ônibus para Varginha, Minas Gerais. Já no caminho revivi tantas viagens que fazia com a minha mãe. Meus avós maternos eram de Campanha, MG. E minha mãe, D. Lucia, colocava os seus três filhos no ônibus e partia para ver o seu pai – minha avó morreu muito cedo. Na viagem revivi as lembranças, o caminho, a caminhada… E como se o tempo fosse mágico, vi meus filhos naquele contexto. Foi mesmo uma grande viagem!

Em Varginha moraram os meus avós, uma irmã e um irmão do meu pai. Este último, meu tio Lênio, nos hospedava sempre quando aconteciam os encontros de família – o que acontece até hoje! A sua casa é onde passávamos nossas férias e alguns feriados. A sua esposa, minha tia Rose, sempre fazia tudo para que me sentisse em casa, acho que era com todos assim. Era só falar que gostava de um doce que ela aparecia com ele! E que delícia acordar cedo e correr para a cama dela, meu tio sempre acordava antes de todos para dar aula, e minhas primas e eu pulávamos na cama dela para conversar, contar histórias e rir muito.

Vi minha tia fazer tudo isso com meus filhos nos dias em que fiquei lá! Foi fácil contar parte da minha história… foi só reviver com eles as coisas que vivi há muito tempo!

De Varginha para Divinópolis! Fui lá passar o Ano Novo na casa dos meus tios maternos. São dois irmãos da minha mãe que moram em nesta encantadora cidade. Uma das minhas tias, a famosa Belinha, sempre nos levou para passear quando íamos para a casa do nosso avô em Campanha. Tenho em mente o quarto de bonecas que ela nos levava para brincar em sua antiga casa. Minha irmã e eu, como éramos as netas mais velhas, fomos muito paparicadas pelos nossos tios. E a Tia Belinha, mesmo antes de se casar com meu tio, passeava e brincava muito com a gente!

Passar esses dias em sua casa foi para mim um tempo de resgatar histórias. Em todas as oportunidades sentávamos para tomar um café com queijo fresco – o melhor de estar em Minas é ter sempre esse queijo à mesa – e a conversa corria solta. Ouvi meu tio contar histórias sobre a família da minha mãe, sobre histórias com meu pais e detalhes de quando éramos crianças. Foi como viver e reviver o passado. Da mesma forma ver esse amor estendido aos meus filhos foi como contar a eles um pouco da minha infância!

Na casa do meu outro tio ouvi também muitas histórias sobre a minha mãe e o meu pai: da época em que namoravam, do fusca que era usado pelos cunhados no final de semana, do futebol e tantas outras que quase não cabem na pequena cidade de Campanha, sinceramente não cabem nem mesmo na minha memória, e é por essa razão que vou sempre recorrer, por mim e pelos meus filhos, a esses e outros tantos tios queridos que guardam e trazem tantos momentos e histórias da minha vida e da vida dos meus pais, para que, mesmo ausentes, meus filhos possam ter acesso aqueles que foram seus avós, o seu legado e, principalmente, que saibam que eu, a sua mãe, também fui criança um dia com todos os mimos, peripécias e histórias.

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


2 Responses to Uma viagem ao passado

  1. Anna Luzia de Carvalho Moraes says:

    Lívia, ao ler o texto, tive oportunidade de lembrar de momentos inesquecíveis vividos com vocês. Parabéns pelo lindo texto que, tenho certeza vem na contramão de tantos conceitos que banalizam a importância do convívio familiar na vida das pessoas. Obrigada por me incluir neste contexto.

    • Livia Marina says:

      Olá tia !!! Obrigada por compartilhar esse sentimento ! Algumas vezes já citei sua ajuda fundamental na minha vida de mãe e agradeço imensamente por fazer parte da vida dos meus filhos ! Um grande abraço !

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