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Publicado em 09/11/2018 | por Alessandra Paula Nunes

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Síndrome Fúngica

Você já ouviu falar na síndrome fúngica? Ela é um conjunto de diferentes sintomas decorrente da ação exercida em diversos sistemas do nosso organismo, devido à multiplicação excessiva dos fungos.

Em um organismo onde o sistema imunológico está saudável, os fungos presentes dentro e fora do organismo vivem pacificamente sem causar nenhum tipo de prejuízo. Porém, quando ocorre uma disbiose, ou seja, um desequilíbrio entre as bactérias benéficas, patogênicas e fungos, com alteração da resposta do sistema imune, há aumento da virulência desses micro-organismos, ou seja, de sua capacidade de se multiplicar e causar doença no hospedeiro. E é devido a essa disbiose que pode haver o desenvolvimento da Síndrome Fúngica.

O desequilíbrio pode acontecer por diversos fatores como: Uso de antibióticos, imunossupressores, laxantes, anti-inflamatórios não esteroidais, antiácidos, pílulas anticoncepcionais, quimioterápicos, uma vez que estes medicamentos alteram diretamente o sistema imune, levando a uma supressão deste, permitindo a disbiose.

Porém, hoje em dia, nossa alimentação rica em alimentos industrializados, ricos em gordura, sódio e açúcar e pobre em alimentos in natura, como frutas e hortaliças, está muito associada com o aumento da ocorrência dessa síndrome, mostrando como os hábitos alimentares estão diretamente ligados à nossa saúde.

     Avalie seus hábitos:

  • Consumo excessivo de açúcar refinado, alimentos ricos em carboidratos simples como bolos, biscoitos, refrigerante, pão branco, chocolate, balas e álcool. Esses alimentos, ricos em carboidratos refinados aumentam os níveis de glicose, que é o principal alimento para os fungos. Quando em excesso, há maior substrato para o crescimento e multiplicação destes;
  • Consumo regular de alimentos com alto poder alergênico, como aqueles que possuem proteínas de difícil digestão, que são matérias primas para a fermentação de bactérias patogênicas, favorecendo o crescimento fúngico. Incluem-se nessa lista o leite e seus derivados e os alimentos à base de trigo (neste caso deve se avaliar quais os alimentos para cada pessoa podem ser mais ou menos alergênicos);
  • Baixo consumo de frutas, verduras e legumes, ricos em fibras. Esses alimentos geram substratos para a proliferação das bactérias benéficas presentes em nosso intestino, que são responsáveis por manter o equilíbrio dos micro-organismos em nosso corpo, inclusive mantendo o ph adequado para não haver multiplicação de patogênicos;
  • Consumo recorrente de alimentos com bolores e leveduras, que pode levar ao acúmulo desses no organismo (como queijos, leites fermentados e não se pode deixar de incluir nesse grupo a cerveja);
  • Consumo frequente de cogumelos (são fungos);
  • Ingestão frequente de amendoim (contém aflatoxinas produzidas por fungos).

      Os sintomas decorrentes dessa multiplicação exacerbada são diversos e podem acontecer nos principais sistemas do nosso corpo, como:

  • Sistema nervoso: enxaqueca, ansiedade, sonolência, falta de saciedade, fome noturna, dificuldade em memorização e aprendizado, distúrbio de concentração, entre outros;
  • Sistema digestivo: alternância entre diarreia e constipação, flatulência, dores abdominais, náuseas, vômitos, aftas;
  • Sistema endócrino: tireoide e adrenal estão diretamente ligadas;
  • Sistema urogenital: infecções urinárias recorrentes, ardência, prurido. Nas mulheres pode haver candidíase vaginal de repetição, cólica, retenção hídrica, alteração no ciclo menstrual e síndrome pré-menstrual. Nos homens, pode haver diminuição da libido, prostatites e vermelhidão na virilha;
  • Pele: escamação, urticária, acne, rosácea, transpiração excessiva, dermatite, entre outros sintomas;
  • Sintomas em outros sistemas: bronquite asmática, processos alérgicos, imunodepressão, fibromialgia, etc.

Como tratamento para essa síndrome, além de medicamentos que devem ser prescritos pelo alergista, deve-se fazer o controle por meio de uma dieta alimentar livres das substâncias citadas acima.

O uso de substâncias naturais com ação antifúngica e antimicrobiana, como o orégano, o alho, o cranberry e o gengibre tem sido bastante utilizada como tratamento auxiliar para essa síndrome.

Além disso, é indicada a suplementação nutricional de probióticos, que são micro-organismos vivos que auxiliam na colonização da microbiota intestinal, melhorando o processo de disbiose.

Por último, vale ressaltar o seguinte: Não é só o que comemos que pode desencadear a Síndrome Fúngica. O jejum prolongado frequente está sendo também associado como um dos fatores para o desencadeamento da doença, uma vez que o organismo deixa de ter acesso à micronutrientes importantes, colocando em risco o sistema imune. E lembre-se de conversar com seu médico e com seu nutricionista sobre o assunto.

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Sobre o autor

Alessandra Paula Nunes

Nutricionista clínica e esportiva (a nutri dos esportes de combate!). Mãe do João e esposa do cubano Paco Garcia, a lenda do boxe brasileiro! Adora livros (ler e escrever), viajar, trabalhar e não fazer nada de vez em nunca. É ligada no 220 e fã do bom uso das redes sociais. Ah, e o seus pacientes a amam!


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