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Publicado em 26/03/2018 | por Livia Marina

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Quem é você, mulher?

Tenho o costume de escrever nesse mês de março sobre o dia da mulher. Particularmente não gosto desse dia, não curto essa homenagem! Parece que o mundo se cobre de pétalas rosas e tudo fica lindo. Mais lindo seria se essas pétalas aparecessem no dia a dia, em meio às tempestades e lutas que cada uma de nós enfrentamos continuamente. Se o reconhecimento aparecesse numa mensagem, num gesto, no inesperado, no trabalho, em casa ou na empresa…

Essa é minha opinião sobre esse dia, mas esse ano, em especial, depois de trabalhar e conhecer tantas mulheres, sua dor e o que carregam na alma, meu olhar é muito maior para o que vem de dentro do que para o que vem de fora. E queria escrever uma carta a todas aquelas que estão perdidas nos diversos papéis que receberam, e agora mal conseguem se encontrar.

Quem foi que te disse que deveria ser assim?

Em qual escola você aprendeu que você seria a última ou talvez nem ser?

Quem disse que você não poderia trabalhar, ganhar seu dinheiro, sonhar…?

E por que você acreditou?

Quem tirou de você o direito de ser amada? Ou pior ainda, porque você aceita ser amada de qualquer jeito?

Que medo é esse que você tem da vida? Quem excluiu o teu direito de viver?

Quem decretou a lei que te obriga a ser feliz depois de todo mundo, se todos estiverem feliz?

Quando a sua individualidade foi castrada?

Quem te garantiu que, se deixando de lado, ainda assim poderia ser feliz?

Quem roubou de dentro de você a sua felicidade e a colocou nos filhos, no marido, no lar …?

Por que você aceitou?

Quando você passou acreditar que as pessoas a sua volta tem o melhor de você, se você mesma não sabe mais quem é?

Há quanto tempo você não tem o seu momento, o deu dia, não assiste ao seu programa, não sai para onde quer ir, não ouve a sua música…Quem te proibiu dessas coisas?

E quanto aos sentimentos, quem te fez engolir calada as coisas que você não gostou de ouvir ? Quem te tirou o direito de falar das coisas que sente, ou que não gosta?

Onde foram parar a sua opinião, as suas ideias, os seus pensamentos sobre as coisas, a vida, as pessoas?

E aquele curso que você gostaria de fazer, por que não vai atrás? Quem disse que agora é tarde?

Quem limitou o seu papel a cuidar dos filhos e da casa?

Onde escondeu os seus talentos e dons?

Aquele quadro pintado que você esconde, por que não está pendurado na parede com a sua assinatura?

E aquelas poesias guardadas a sete chaves, por que estão na gaveta?

Quem escondeu a chave que trancou o seu coração?

Ah, sim, Dia Internacional da Mulher será aquele em que ela mesma se libertar das amarras e entranhas que alguém a colocou e ela, sem opção, aceitou. Será aquele em que sua atitude tornará reconhecida a sua força e coragem.

Seu silêncio será uma escolha e não uma repressão. Você decidirá suas preferências, suas vontades, suas escolhas. Sua importância virá da consciência de si mesma: sua capacidade de fazer tantas coisas, cuidar de tanta gente mas também cuidando de si, se respeitando e se amando todos os dias !

Feliz será esse Dia da mulher!

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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