Cultura Curta

Publicado em 31/03/2017 | por Krishna Shinno

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O Mundo fora do lugar

Queridos, ainda nos mês em homenagem às mulheres, o Curta com Pipoca esteve no lançamento destinado à imprensa da Mares Filmes, dessa vez com o longa alemão O Mundo Fora do Lugar, em que a semelhança de uma mulher famosa com a falecida esposa de um homem – já na idade bem madura – desperta um certo mistério. Já falamos sobre os filmes franceses (um deles foi O Filho de Joseph – leia aqui), agora a nossa oportunidade é conhecer o cinema alemão. Não podia esquecer de Leni Riefenstahl, a primeira mulher cineasta da Alemanha que filmou os jogos olímpicos de 1936 ao comando do terceiro Reich. Lembrando que falamos dela no filme Race no post “Viva a Consciência Negra“. Agora deixo vocês com esse maravilhoso drama e o que a vida reservou para essas distintas mulheres. O-mundo-Fora-do-Lugar-01

Tem dias que a vida segue tranquilamente, mas quando O Mundo Fora do Lugar (Die abhandene Welt) resolve desenterrar situações inesperadas, Sophie (Katjan Riemann) acaba encontrando algo que jamais imaginou em sua vida. Morando na Alemanha, cantora pop e trabalhando em eventos matrimoniais, Sophie é questionada pelo seu pai Paul (Matthias Habick) sobre a semelhança da cantora de música clássica Caterina Fabiani (Barbara Sukowa) com a sua esposa já falecida, Evelyn Kromberger.  A curiosidade inquestionável do pai, faz com que Sophie parta para Nova Iorque em busca de respostas. Ao mesmo tempo que ele fica intrigado com a semelhança, ela fica emocionada ao conhecer Caterina pessoalmente. É como se a sua mãe tivesse ressuscitado. Mas, como a maioria das pessoas famosas, Caterina não é flexível e até acha estranho a aproximação de Sophie invadindo a sua privacidade. Entre desistir e tentar, Sophie acaba fazendo um acordo com Philip (Robert Seeliger), o charmoso agente de Caterina. Enquanto ela faz de tudo para se aproximar, Paul fica impaciente e liga inúmeras vezes para saber como anda a “negociação” – digamos assim. Sophie consegue marcar um encontro com a ajuda de Philip, apelando pelo desejo de seu pai, mas Caterina acha tudo um absurdo e não dá a mínima. Ela, então, vai visitar a mãe de Caterine no asilo, onde a história acaba gerando mais perguntas do que respostas quando Rosa (Karin Dor) reconhece a foto da mãe de Sophie chamando-a pelo nome. A pulga atrás da orelha é cada vez mais intrigante, até que Caterine descobre a visita e fica enlouquecida com Sophie. De volta para casa, a diva da música clássica começa a refletir e toma uma decisão.

E Sophie decide voltar para Alemanha, mas agora o confronto é com seu pai, pois cartas guardadas revelam um passado envolvendo o seu tio Ralf (Gunnar Moller). Então, a história começa a tomar outro rumo, aumentando a dúvida: de onde vem tanta semelhança de Caterine com Evelyn? O que de fato Paul e Ralf sabem ou escondem sobre o passado? E Caterina, será que no fundo ela também busca respostas? Será que Sophie consegue juntar as pistas do passado para responder o presente? Descobriremos juntos! Polaroide_horizontal

Direção e roteiro de Margarethe von Trotta,  este filme mostra um jeito diferente de enxergar o cinema alemão, com toque de delicadeza, humor e drama. Margarethe começou a estudar Belas Artes, frequentou escola de dramaturgia em Munique, trabalhou como atriz no teatro de  Stuttgart e se tornou uma das atrizes mais famosas no período chamado Novo Cinema Alemão. Começou a escrever ensaios e roteiros e atuou pela primeira vez como diretora no filme The Lost Honour of Katharina Blum (A Honra Perdida de Katharina Blum). Ganhou prêmios como Leão de Ouro e Festival de Veneza com o filme Die Bleierne Zeit (As Irmãs Alemãs). O filme The Promise (A Promessa) foi aclamado pela crítica! Outro filme conhecido é Hannah Arendt, também interpretado por Barbara Sukowa, que relata a vida da filosofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. Bom, eu gostei e recomendo, pois aos poucos a trama te envolve com um olhar bem diferente do que imaginamos sobre filmes alemães.

Quando tiver aquela vontade de curtir um friozinho de outono com pipoca  und einen film zu hause (e assistir um filme em casa), aproveitem e dêem uma chance aos alemães! São filmes fortes e  interessantes como o tão polêmico na época Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída (Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo -1981), e Corra Lola, Corra ! (Lola Rennt! – 1998), Adeus Lênin!  (Good Bye Lennin- 2003), A Onda (Die Welle-2008) – que pretendo falar em breve – e a impressionante história da Papisa Joana (Die Papstin- 2009). Amigos, tenham um ótimo fim de semana e fiquem em paz!

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Sobre o autor

Decidida a mudar após anos na área financeira e administrativa. Adora viagens, missões humanitárias, gastronomia, arte, música, histórias que aquecem o coração, literatura, natureza, bichinhos, um bom papo, Calpis e dias perfeitos para assistir filmes ao lado do maridão. Sonha com um mundo totalmente orgânico e a paz mundial. Gratidão imensa por Deus.


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