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Publicado em 30/10/2018 | por Livia Marina

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O Dia das Crianças de uma mãe

Olá, meus queridos leitores!

Acabo de voltar das melhores férias da minha vida! Certamente a primeira de muitas – depois que você faz uma super viagem, nunca mais quer fazer diferente. Já estamos programando a próxima.

Disney nunca foi o meu sonho, quando era criança era uma coisa muito distante da nossa realidade, mal tínhamos dinheiro para colocar gasolina no carro e ir para praia, os tempos eram outros, tempos difíceis de alta inflação onde tudo era muito caro, e a vida seguia, sem problemas, tudo bem não ter a Disney, quase nenhum amigo meu ia mesmo e tinha as nossas férias em Caraguá, na nossa casa que nunca conseguíamos terminar.

Começamos a planejar a viagem meio que de improviso. Precisava transferir uns pontos de uma agência nacional para uma de intercâmbios para que  não expirassem. A gente não conseguia sair uma semana para o Nordeste, então transferi e parece que foi mágico. Começamos a ver os parques, datas e quando menos esperávamos já estava tudo fechado. As crianças inspiram a gente a realizar algumas coisas por elas.

O tempo da programação para a realização demorou um pouco e nos distraímos tirando passaporte, vistos e escolhendo os passeios. A expectativa ainda não existia para mim. Meu marido falava dos parques, as crianças se empolgavam e eu me empolgava por elas, com elas. Pensava na carinha deles lá, na emoção de ver os heróis e princesas e na satisfação do meu marido em poder realizar esse sonho.

Estávamos em outro país, pela primeira vez, tudo novo, tudo lindo, tudo mágico. A estrada de Miami para Orlando, linda, todos os detalhes eram registrados. Nos acomodamos, fomos no mercado, mas era nos parques que eu iria sentir a emoção que não senti na minha infância, e assim, no dia seguinte, fui realmente entender o que era toda aquela magia.

Chegamos nele e começou a diversão e correria. Íamos de um lado do parque para o outro por causa dos horários das atrações que havíamos marcado, com o seu mapa nas mãos tentando registrar tudo o que estava vendo e vivendo para que pudesse resgatar todas as sensações daqueles momentos. A carinha das crianças ao verem os personagens, tirarem fotos e pegarem autógrafos, era impagável. Cada sorriso, cada emoção, cada euforia, vou guardar para sempre no coração. Tudo como imaginei!

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A tão esperada hora dos fogos chegou, e eu já estava a postos para me emocionar. Mas por mais que a gente viva a emoção de todos que contam como é estar ali, você precisa estar ali para saber como vai sentir, e eu me emocionei com tanta magia, com as músicas, com os personagens, parece que aqueles fogos saiam de mim. A gente demora pra voltar ao normal depois de viver todas as emoções, mesmo apesar do cansaço das 12 horas de parque você se sente extasiado. Já entendi que seria necessário um tempo para assimilar tudo o que viveria naqueles dias.

E foi assim, cada dia uma emoção nova. Uma surpresa sempre acompanhada do pensamento: eu não acredito que estou aqui! Os parques eram lindos, isso me impressionou, me surpreendeu. Tinha sempre um lago, um verde, uma fonte para contemplar. Eu fotografava cada canto surpreendente, queria ter aqueles registros, mas o ápice de todos esse momentos aconteceu no dia 12 de outubro.

Já caminhávamos para os últimos dias das férias quando fomos conhecer o Sea World, o tal parque dos Golfinhos. Havia algumas montanhas russas famosas nele, mas não era o nosso foco, outro parque lindo com um céu naquele dia que parecia mais azul que qualquer céu que vi na minha vida, e fomos para o show da baleia Shamu. Sentei ali, despretensiosa, até que começou o show e fui arremetida a um passado distante em que cheguei a ver na TV esse espetáculo e imaginava se um dia poderia ver aquilo de verdade. Foi então que o choro veio, e veio com força. Coloquei os meus óculos escuros para tentar disfarçar as lágrimas. Minha filha me perguntou por que eu chorava, e eu disse que era a emoção, mas não poderia e nem queria explicar nada naquele momento. Chorei de gratidão por poder estar ali, chorei de alegria por poder viver aquele momento. Era lindo demais, muito mais do que vi na TV.

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Depois, ao sair do show, fomos mais tarde na Antártica ver os Pinguins e me realizei ali de novo vendo meus bichinhos favoritos, tudo perfeito. Lembrei mesmo que nunca havia tido um dia das crianças como aquele, e decidi que seria registrado como o meu melhor dia das crianças. Quando voltamos, depois de um passeio no outlet para fechar a noite, tomamos um banho de espuma na banheira com as crianças, pedido delas, e eu disse para elas que tinha sido o melhor dia das crianças da mamãe, e elas responderam: mas você não é mais criança! Então falei: Sou sim, tem uma criança no coração da mamãe.

Descobri que aquele lugar é realmente um lugar de magia. Não precisa ser o seu sonho para se transformar num sonho, e quanto a nós, mães, precisamos às vezes resgatar nossos sonhos, a nossa alma, e vivermos as nossas próprias emoções, ter nossos momentos desconectadas de nossos pequenos, ainda que com eles.

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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