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Publicado em 27/07/2017 | por Livia Marina

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Mais gentileza, por favor!!

Olá, queridos, hoje quero compartilhar com vocês a experiência que tive nas últimas 8 semanas. Fiz o programa de Mindfulness (Atenção Plena). Foram 8 semanas de práticas de meditação com o intuito de me olhar, de me perceber, de sentir o meu corpo e prestar mais atenção na vida e em mim mesma. E também de observar a forma como trabalho os meus medos, as minhas ansiedades, os meus pensamentos… Foram momentos de muita reflexão!

Pude perceber tanta coisa em que me envolvo: as atividades, as informações, o convite aos movimentos da vida e o quanto me afasto da meditação e da contemplação. Os vários papéis que desempenhamos diariamente vieram à tona. O ser Mulher é controlador por natureza e gosta da sensação de poder dar conta de tudo. Certamente que o papel de mãe tem o seu destaque, talvez por ser o de maior responsabilidade, ou por estar sempre latente – pelo menos em mim. Nesses encontros pude rever alguns comportamentos, posturas e emoções. É claro que o curso sugere práticas diárias de meditação em alguns horários do dia, é um processo, mas um dia desses minha filha me perguntou: mãe você está com sono? Não!, eu respondi curiosa. E ela devolveu: é que você está tão calma! Na verdade, eu estava conectada com as minhas ações e reações. Isso é muito bom!!!

Seria um paraíso se conseguisse isso todos os dias, principalmente nas férias – não é mesmo, mães? – onde nada muda, já que continuamos com as mesmas atividades, com a mesma rotina, só que com os filhos em casa querendo mais atenção!

Muito curioso como a maternidade desperta um lado novo, um universo de amor dedicado a um outro ser, uma capacidade de amar, cuidar, proteger além de você mesma mas que, se não nos atentarmos, pode nos distanciar, nos desconectar de nós mesmos, a ponto de vivermos a vida dos nossos filhos e nos entendermos sem vida fora deles! Na verdade, é muito simples o que acontece: antes você tem a responsabilidade sobre a sua vida, já com a chegada dos filhos você vai se responsabilizando por mais uma vida, e outra e outra… certamente que com o grau de comprometimento com os filhos nós vamos ficando para o segundo, o terceiro ou o quarto plano. Difícil demais lidar com essa situação sem se descontrolar ou enlouquecer. Às vezes nos vemos acumulando tarefas, tentando dar conta e ainda administrando a culpa.

Nesse universo os filhos vão crescendo, o tempo vai passando e quando finalmente nos olhamos, muitas vezes não há mais o que resgatar: a nossa identidade está perdida, não lembramos mais quem somos, o que gostamos, o que sabemos fazer. Na minha atividade vejo essa dificuldade manifestada em dois momentos: quando os filhos são pequenos e depois que eles crescem – e a dificuldade é se desvincular das tarefas que desempenhou durante anos. Isso porque sem aquelas atividades se perde também a utilidade.

O curso de Atenção Plena me trouxe a certeza de que em qualquer momento é possível parar, voltar, retroceder, se resgatar e a sensação de estar em sintonia com tudo o que somos é deliciosa, restauradora e revigorante!!! Perceber e sentir o gosto das coisas, o prazer de uma boa leitura, o silêncio pacificador da nossa companhia, o caminhar ouvindo os passos… Todas essas propostas são desafiadoras para quem está sempre correndo, engolindo uma comida sem perceber o sabor, e a mente acelerada e agitada que parece ser sempre um peão em movimento em qualquer outro lugar, mas nunca no presente.

E então em meio a esse ritmo frenético aceitei o convite da pausa. Pausar faz bem! Limpa a mente e a alma, tira os pesos, nos coloca no eixo, nos conecta, nos religa e nos permite ser gentis com nós mesmos. O convite é esse: seja Gentil com você! Sempre achei que gentileza fosse uma ação voltada para o outro, e quando me vi me alongando, esticando meu corpo, dando a ele a voz que ele muitas vezes me pede e eu não escuto, senti a gentileza comigo mesma e vi o quanto preciso de pouco para estar bem.

No meu esgotamento de energia – ser Coach gasta uma energia tremenda – ou cansaço físico e mental, faço pausas para respirar e retomar as rédeas. Isso me faz muito bem. É como um fôlego em qualquer hora do dia!

Meu objetivo em escrever sobre isso é que precisamos bem menos de um SPA ou de uma semana num resort com monitores, porque tudo isso passa e a rotina nos desorienta e cansa novamente. O ideal é que a gente coloque mais atenção no nosso corpo e que saibamos fazer as pausas necessárias para que o acúmulo de coisas que carregamos seja reparado e que vez ou outra a gente descarregue o peso de tudo o que assumimos – sem saber se damos conta -, e que deixemos de olhar para os vários papéis que desempenhamos para olhar para quem somos, nos amando mais a cada dia e desenvolvendo a generosidade primeiro conosco, depois com o próximo.

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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