Cultura Curta

Publicado em 04/11/2016 | por Krishna Shinno

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Frio na espinha

Mudando de cenário – com um pouquinho de frio na espinha-, que tal um terror para os medrosos e amantes do gênero. Se meu Sexto Sentido não falhar, vou  começar com  a obra de M. Night Shyamalan, que estava bem quietinho depois de um tempo. Eu, particularmente, gosto muito do estilo dele, sem apelar para cabeças decepadas, monstros e aquela parafernália de coisas que estraga e faz o filme ficar bobo. Bom,  A Visita (The Visit) não será mais a mesma depois que os irmãos Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould) decidem visitar os avós que até então não conheciam por questões familiares. Ansiosos pela viagem, e a pedido da futura cineasta Becca, os irmãos registram tudo como documentário. Chegando no local afastado, na Pensylvânia, seus avós Pop Pop (Peter McRobbie) e Nana (Deanna Dunagan) os recebem com carinho e, claro, cookies típicos da casa da vovó. Tudo lindo, meigo, maravilhoso, lugar legal para explorar e filmar, Tyler como todo garoto curioso começa a reparar em alguns hábitos estranhos de seu avô, mas acha que são coisas da idade. A aventura continua, afinal eles são pessoas idosas e são apenas alguns dias. Como todo lar tem suas regras, sua avó deixa algumas bem claras, sendo que uma delas é não sair do quarto após às 21h30. Humm… a coisa começa a ficar estranha e para o irmãos a curiosidade é maior que a obediência. Lógico que fatos bem bizarros começam a acontecer e seus avós não tem mais aquele ar fofinho e sublime. Bate o desespero, e a vontade enorme de voltar para casa se torna um pesadelo. Será que a lindinha da Becca e seu irmão Tyler, que tem horror a germes sairão dessa? A casa dos avós já não tem mais o mesmo encanto e a cada momento você toma um belo susto!avisita-01

Dessa vez Manoj Nelliattu Shyamalan, conhecido como M. Night Shyamalan, ressuscitou suas origens, afinal Sexto Sentido, Sinais, A Vila e Corpo Fechado foram filme excelentes, que, além dos sustos, despertam reflexão sobre certos conceitos e mistérios. Por um tempo ele sumiu e não decolou com outros filmes como Fim dos Tempos e Dama da Água. Ganhou vários prêmios como o Oscar, Globo de Ouro, Golden Satellite Awards, Bafta, Annie Awards, Palm Spring International Film Festival como melhor diretor e melhor roteirista do filme Sexto Sentido. Indiano, naturalizado estadunidense, filho de médicos, M. Night cultivou uma paixão imensa pelo cinema. Curioso em seus  filmes é que ele sempre aparece como figurante ou ator coadjuvante secundário (eu acho que lembro de todos). Em janeiro 2017 podemos esperar pelo seu próximo suspense, Split, com James McAvoy. Torço para que seja tão bons quanto os primeiros. Se forem visitar algum parente pela primeira vez, se certifiquem!  Vocês podem ter um primo Larry que guarda segredos ou uma serrinha elétrica, bem… digamos assim… funcional.

hush-01Tente se colocar no lugar de Maddie Young (Kate Siegel ), que aos 13 anos contraiu meningite, ocasionando a perda de audição e paralisia vocal permanente, mesmo com as inúmeras tentativas cirúrgicas, todas irreversíveis. Escritora e solteira, ela vive com a sua gatinha isolada em sua casa adaptada, bem tranquila e longe do caos da cidade. Às vezes conta com a sua amiga Sarah (Samantha Sloyan) para treinar libras, a linguagem dos sinais. Maddie é muito boa em ler lábios e por isso consegue se comunicar bem. Em seu silêncio, tenta terminar o seu segundo livro entre diversos finais de sua criação. Hush – A Morte Ouve é um thriller bem interessante, sem almas penadas vagando pela floresta e sim um psicopata arqueiro (John Gallagher Jr.) de carne e osso. Quando ele percebe que a sua vítima é surda, ele aproveita para infernizar mais ainda a vida da própria. Mas ao perceber a situação, Maddie tenta de tudo para sobreviver ao terrorismo físico e mental, e se concentrar na voz que vive em sua mente. São momentos de muita agonia, que fazem a vítima imaginar o seu final e aguçar os seus outros sentidos. Esse é um filme bem bacana que prende a atenção, afinal o que você faria no lugar de Maddie?

Dirigido por Mike Flanagan e roteiro da própria Kate Siegel com Mike, este é um suspense bem eletrizante, que faz juz ao subgênero home-invasion (invasão ao lar) e é fresquinho, tendo sido lançado em 2016. Então fiquem  a vontade mas atentos a todos os sentidos e vibrações!

Para os curiosos que não tiveram coragem ainda de assistir The Babadook, podem tirar o cavalinho e tudo mais da chuva, porque não se trata de contos da carochinha e historinha de bruxa malvada. O terror é psicológico e perturba, mas podemos contar com a interpretação impressionante do pequeno Noah Wiseman como Samuel e sua mãe Amelia (Essie Davis). Após a perda de seu marido em um acidente justamente no dia em que Samuel nasceu, Amelia se torna uma mulher deprimida e sem muita perspectiva. Vive em sua casa aparentemente sem cor, sendo cenário perfeito para os acontecimentos. Samuel ao mesmo tempo criativo e amoroso, é uma criança hiperativa que exige muita atenção. Nota-se que ambos acabam sendo discriminados e até mesmo pela própria irmã de Amelia. Fechados em seu mundo, Samuel sempre pede para a mãe ler uma historinha antes de dormir. Até que um dia, um misterioso livro chamado The Babadook aparece e Samuel, pirracento, pede para a sua mãe ler. Nada bom, Amelia sente algo estranho, uma certa intuição e decide não continuar a leitura. Com o tempo, alguns acontecimentos ocorrem e Samuel sente um enorme medo de perder a sua mãe (tadinho, como ele sofre!). Amelia por sua vez parece entrar em um conflito espiritual psicológico e aterrorizante. Sem terem com quem contar, ambos travam uma batalha contra o mal liberado pelo livro. Detalhe, o pequeno Samuel, apesar de ser uma criança difícil, com sua pouca idade ele cria as suas próprias armas para combater esse mal, mas não será nada fácil.babadook-01

Direção e roteiro de Jennifer Kent, o filme de 2017 é australiano e canadense. O crítico egípcio Wael Khairy escreveu para o Film Analysis  que The Babadook “bate em algo real, um medo humano real“. Tim Teeman, jornalista editor cultural sênior do The Daily Beast,  afirma que ele foi agarrado pela “metáfora imperativa” do filme de Kent, com o monstro Babadook representando “a forma de sofrimento”. Bom se a opinião desses críticos foram essas, concluam as suas. Ah, se escutarem três vezes um barulho dook dook dook  (ai caramba…  #*@&%!!!) é sinal que você esta assistindo ao filme ou não! 

A palavra medo tem origem do termo latim metus. Trata-se de uma emoção perturbadora  de um sentimento angustiante nada agradável diante de um obstáculo real ou imaginário. Mas o fato é que o cinema propõe emoções e uma delas é o medinho básico (ou não) diante de alguns clássicos como O Exorcista,  A Profecia, O Iluminado, Poltegeist, até o arcaico Nosferatu de 1922 ao atual Invocação do Mal e seus efeitos convidativos. Quando eu era criança gostava bastante, hoje já prefiro as biografias e histórias reais, mas o Curta com Pipoca é isso, abraça as suas emoções e dicas. Não se esqueçam da série  Stranger Things que já comentamos aqui, ok? Bom fim de semana e se juntem no sofá ou em qualquer lugar seguro e confortável para assistirem ao seu thriller preferido com pipoca. Fiquem em paz que semana que vem as dicas serão mais suaves!

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Sobre o autor

Decidida a mudar após anos na área financeira e administrativa. Adora viagens, missões humanitárias, gastronomia, arte, música, histórias que aquecem o coração, literatura, natureza, bichinhos, um bom papo, Calpis e dias perfeitos para assistir filmes ao lado do maridão. Sonha com um mundo totalmente orgânico e a paz mundial. Gratidão imensa por Deus.


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