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Publicado em 21/02/2018 | por Livia Marina

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Eu não acredito!

Olá, queridos leitores, estava ansiosa para compartilhar com vocês a experiência que vivi esses dias. Ser mãe é viver de peito aberto, quase sempre, todas as emoções que esse universo traz. Para a maioria deles estamos despreparadas e eu, semana passada, fui pega de surpresa com as minha emoções. Minha filha Luiza completou 8 anos. Já confessei aqui que esse ano tenho vivido crises sobre o legado que deixamos, se estamos ensinando tudo, o referencial que temos sido, tudo isso na questão da saúde, mas passa por todas as áreas. Quando seu filho faz 8 anos já temos a consciência de que não podemos mais ser amadores. Não somos tão inexperientes e já entendemos o nosso papel. Tudo muito claro. Só não havia entendido e nem sabia que iria doer tanto esse crescimento. Eu não queria acreditar !

Semana passada, véspera de seu aniversário, estava vendo umas fotos para montar uma retrospectiva pra ela. Passei uma tarde vendo as suas carinhas e a sua evolução. Meu coração foi apertando e eu parei para vivenciar de fato a realidade de que tudo está passando muito rápido. A gente fala isso, a gente sabe disso, mas são poucas as vezes em que nos permitimos vivenciar essa dor e luto pelo tempo que não temos mais. Me deu uma saudade dela pequena, no meu colo, aprendendo quase tudo, me deu um medo de não estar vivendo direito, de não viver tudo…. O rostinho dela hoje tem mais traços de mocinha do que de menina! Como o tempo passou tão rápido e eu não me dei conta? Mexendo naquelas fotos e acompanhando a sua transformação vi que de ano em ano ela se transformou e em poucos meses ela já havia perdido o jeito de menininha. Certamente que para nós, mães, elas sempre serão nossas meninas, mas é fato que ela cresceu. Fui tomada de uma saudade naquele momento, uma vontade imensa de pegá-la no colo, e ficar abraçada com ela sem sentir o tempo. E quando ela voltou da escola naquele dia, ficava observando-a enquanto ela falava: o jeito de gesticular, os termos que usa, como mexe o cabelo… nada mais é de menininha. Realmente ela cresceu.

Vai mais uma fase e sem volta. Ela esse ano foi para a terceira série e no modelo que escolhemos como metodologia de ensino, começa a fazer provas, tem lição de casa todos os dias, não vai ter mais ter o dia do brinquedo e nem poder brincar no parque, não na escola. A escola também virou coisa séria. E eu descobri isso quando, no final de janeiro, indo para a reunião da escola vi o nome dela na lista de terceiro ano. Que medo! Inusitadamente meus olhos se encheram de lágrimas ao encontrar sua primeira professora nessa escola, não me contive e comecei a chorar. Foi muita emoção. Tudo muito inesperado. É claro que ficamos felizes em ver os nossos filhos crescendo e evoluindo com saúde, devemos celebrar, mas o terceiro ano é um divisor de águas. Luiza estava comigo na reunião e ficou triste quando soube que não vai mais ter parque e me questionou: “Não vou poder mais brincar no escorregador da escola, mãe?” E ali eu vi a minha menininha, porque bem dentro de seus 1m40 é o que ela é, minha menininha. E eu respondi: “aqui não vai poder mais filha. Agora você vai aprender muitas coisas. As matérias serão ensinadas de forma separada. Cada uma terá um livro e uma prova para você descobrir também o quanto aprendeu de cada matéria”.

Sei que esse medo não está só relacionado ao fato da vida dela que começa  a ter mais responsabilidade a cada dia, nós pais também passaremos por uma mudança: antes pais de filhos pequenos, agora filhos juniores e daqui a pouco adolescentes.  Outros e desconhecidos desafios aparecerão no caminho aumentando a ansiedade de aprender a lidar com eles.  Curioso na reunião, quando a professora falava da prova e como tratar com a criança sobre essa questão, me ocorreu na hora: eu preparo pessoas para prestarem o exame da OAB através do coaching, e agora vou ter que preparar a minha filha para as provas. Certamente que essa missão será a mais importante e desafiadora.

Pode parecer tudo muito potencializado agora, né ? E quando não é assim na vida de uma mãe? Até que as coisas entrem nos eixos, como as mamadas, as fraldas, as cólicas, e todas as iniciações na vida, vai um tempinho e sei que é só mais uma das tantas outras fases que se iniciarão da vida dos meus filhos, mas nessa a gente começa a entender que o tempo dos brinquedos está com os seus dias contados e que os livros e responsabilidades começam a ganhar espaço na vida deles, e que agora nós vamos querer que eles nos peçam colo mais do que eles irão pedir. Um beijo já não cura mais a dor. Nossa voz, antes única e impetuosa, começa a disputar com outras, diferentes e em alguns casos até desconhecidas. Pela frente eu vejo muitas ameaças e desafios, e muitas descobertas, para eles e para nós. A saída, talvez a única, é acreditar no nosso taco, na educação que demos e confiar que eles saberão, na maioria das vezes, tomar as suas decisões se baseando no que aprenderam e cabe a nós mostrar sempre que estaremos no mesmo lugar sempre para quando precisarem.

Sei que foi uma viagem agora. Quem nunca? E voltando para a vida real, ela pediu mais uma boneca, “Ever after high”, de aniversário. Que bom! E enquanto tudo isso não acontece, que possamos brincar mais nos parquinhos, nos balanços e curtir juntos o pequeno Théo, que dias desses chegou pra mim e disse: “mãe, você acredita que eu já vou fazer lição de casa?”. Não filho, eu não acredito!!!!

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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