Cultura Curta

Publicado em 13/11/2017 | por Krishna Shinno

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Entre Irmãs

Quem assistiu 2 Filhos de Francisco, Era uma vez, À beira do Caminho e Gonzaga –  de Pai para Filho, não poderá deixar de assistir Entre Irmãs, o quinto longa-metragem de Breno Silveira. O Curta com Pipoca teve a honra de conferir essa emocionante história que conta a dramática trajetória de duas irmãs e seus destinos completamente diferentes. Baseado na obra elogiada do livro “A Costureira e o Cangaceiro”, Frances De Pontes Peebles e Maria Helena Rouanet, esse filme promete lágrimas…

Nos anos 30, duas irmãs separadas pelo destino enfrentam o preconceito e o machismo, uma por parte da alta sociedade na cidade grande, e a outra de um grupo de renegados no interior. Apesar da distância, elas sabem que uma só tem a outra no mundo e cada uma, à sua maneira, vai se afirmar de forma surpreendente. Enquanto Emília (Marjorie Estiano) é delicada e esperar viver o seu sonho com Degas (Rômulo Estrela), seu príncipe encantado, na capital, Luzia (Nanda Costa) é a típica mulher da terra, forte e corajosa que enfrenta tudo ao lado de Carcará (Julio Machado) e seu bando no vasto sertão. entreirmas-01

Roteiro assinado por Patrícia Andrade, parceira do diretor em seus longas anteriores, Breno Silveira realmente tem um toque bem interessante neste filme. Ele aborda vários temas que ainda eram vistos pela sociedade com muito preconceito, estranheza e falta de informação. Coisa bem peculiar da época. Os personagens Emília e Degas  não são exatamente o casal dos sonhos, pois ela sente que algo está errado com seu marido. Nessa solidão na capital, ela conhece Lindalva (Letícia Colin), uma amiga da família que mostra um rumo diferente em sua vida. Nas bandas do sertão, Luzia e Carcará vivem uma paixão intensa e  perigosa, pois o bando está sendo perseguido para ser executado, o que me lembra muito Lampião e Maria Bonita, e até Corisco e Dadá. O contraste de vida das duas irmãs costureiras é primordial nessa jornada. O que realmente  toca nessa narrativa é que nenhuma delas desiste da outra. Emília descobre pelo jornal que a irmã está viva, e Luzia, grávida, também lê uma nota da alta sociedade sobre Emília. A esperança é algo marcante e muitas reviravoltas acontecem. Gostaria muito de falar mais sobre o filme, mas acabaria entregando toda a emoção (spoiler). É formidável, belíssima narrativa, temas atuais embutidos para a época de forma bem cuidadosa, o universo feminino com força e delicadeza, transformações  políticas e sociais e o cenário nordestino nos anos 20 e 30. Não posso deixar de dizer que Nanda Costa como Luzia está incrivelmente impecável. Sua personagem é perfeita! Elenco muito bem selecionado e a trilha sonora, apesar de  insistente, não muda a emoção do filme. Não deixem de assistir o que de fato ocorreu entre irmãs!

Esse segmento de filme nacional já faz parte da  minha lista  e recomendo. É o tipo de história que caracteriza bem nosso patriotismo e traz até um certo orgulho. Emoção é que não falta, assim como muitas reviravoltas. São filmes assim que merecem destaque.  Sim, nosso cinema nacional é maravilhoso e tem muita coisa interessante e digna de muitos aplausos.  Bom, queridos, tenham uma ótima semana e fiquem e paz!

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Sobre o autor

Aprecia tudo que esteja culturalmente agregado às emoções, e o cinema faz parte do universo encantador que a transporta para sonhos até transformá-los em história. Compartilha as suas experiências cinéfilas, acompanhada de uma boa dose de reflexão.


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