Família Base mãemórias portal-01

Publicado em 27/09/2017 | por Livia Marina

4

2 filhos, 3 amores em um coração

Hoje queria escrever sobre a família, a minha família.

Curioso como passei parte da minha adolescência pensando em como seria a minha família. Sim, sou da época em que as meninas pensavam em formar uma família – e olha que eu nunca gostei de bonecas nem princesas, sempre gostei de soltar pipa e minha brincadeira preferida era queimada – mas penso que tínhamos muito forte a referência das nossas mães que davam conta de tanta coisa e era tão agitado tudo, que se fosse assim quando crescêssemos estava bom. Abrindo parênteses aqui, minha mãe era concursada do antigo Banespa e foi aposentada por invalidez – com menos de 5 anos de trabalho – por problemas cardiológicos que a levaram tão cedo. Ela me estimulava muito – a mim e a minha irmã – que estudássemos, que tivéssemos o nosso trabalho, o nosso dinheiro, mas eu sempre vivi no “fantástico mundo de Bob” e imaginava que o queria para mim era alguma coisa diferente disso… E a gente vai crescendo, vai mudando, vai vendo que dentro da gente tem muito mais coisa. Enfim, anos se passaram e estou eu aqui com a minha família. Talvez do jeito que sonhei: dois filhos, um casal, um marido maravilhoso e minha vida acontecendo.

Não sei se outras mulheres têm essa neura, eu ainda tenho, de olhar para a vida e dar aquela assustada: meu Deus, agora é comigo! Eu sou a mulher dessa casa. Olho para os meus filhos e percebo a responsabilidade que tenho em ser mãe! Olho para o meu marido e penso que tenho que cuidar de nós! Mas isso nunca me rouba a gratidão e a alegria que tenho em vê-los, tê-los, de cuidar deles, às vezes do meu jeito estabanado, às vezes desencanado, mas do meu jeito são a minha família.

Nós nos envolvemos tanto nas responsabilidades que temos com tantas coisas, que esquecemos de ver a graça em tudo, até de ser leve! A rotina atropela a gente num mundo de obrigações e horários, e mal percebe que está diante daquele sonho que você sonhou na adolescência – alguns até na infância. Tudo bem diante do seu nariz e que nem sempre paramos para contemplar!

Acho que já contei aqui que casei na faixa dos 30 anos, 33 exatamente. Isso hoje é comum, mas garotas da “minha época” se casavam mais cedo. Não tive problema com isso. Casei bem, com quem amava e amo, com uma pessoa que sempre tive a certeza de que teria parceria e apoio nos projetos, meus, deles e nossos. Sabia que batalharíamos muito pelas nossas coisas porque foi assim desde que decidimos nos casar. Alguém que suportaria comigo os baques da vida e seguiríamos.

Começo de casamento é sempre bom, mesmo sem grana. E ralamos muito nesse início para ter a estabilidade que precisávamos. Com 5 anos de casados chega a Luiza e a vida toma outras formas e outros rumos. Descobrimo-nos pais e nos dividimos agora em mais partes para “dar conta”. Eu passo a ficar em casa, o Rubinho passa a trabalhar um pouco mais e boa parte do nosso tempo livre é para a pequena. Mas incrível é a realização que temos com isso. Tudo agora é mais intenso, um pouco mais cansativo, mas tem uma satisfação intrínseca nesse novo modelo que é totalmente relacionada com a criação, não no sentido de educar, mas criar, fazer… gerar.

E essa realização não tem explicação. Eu agora sou mãe. Que universo é esse? Que alegria cansativa. Um caminho sem volta mas com alegrias e detalhes que você já contava. De repente um beijo, um abraço, uma gracinha, uma risada de um momento único vivido com aquela pequena. Certamente que eu e o Rubinho nos fortalecemos como casal. Não só pela responsabilidade em comum, mas pela alegria de formarmos um outro ser, nosso, vindo de nós.

A pequena foi crescendo, o tempo passando e no susto descubro que estou grávida. Sinceramente não esperava que fosse naquele momento. Foi interessante quando eu soube que estava grávida. Eu estava tremendamente irritada, naqueles dias em que você surta dizendo que não está dando conta, e então eu falei em voz alta: “Meu Deus, eu não dou conta de ter outro filho”. Não havia suspeita alguma, nem sinais, apesar de não estar tomando remédio. Na verdade, os sinais eram de TPM.  Naquele momento liguei para o Rubinho e com toda incoerência do mundo pedi para que ele trouxesse um teste de gravidez!

Deu o que nem eu sei porque pensei ser! Fiquei meio apreensiva a princípio e por alguns dias, mas depois de saber que teria um menino vislumbrei: sempre quis ter um filho, aliás um casal, e estava novamente o meu sonho de adolescência se concretizando, ali em vida pura. Théo veio para nos completar com o seu jeitinho único que o torna querido e mascote da família.

Incrível como a gente tem receio de não amar do mesmo jeito, de não ter o mesmo afeto ou cuidado quando vem o segundo filho, e o que você acaba descobrindo é que ainda cabe muito amor !!! Você ama o mesmo amor de um outro jeito. E o fato de ser um outro universo totalmente diferente da Luiza trouxe mais movimento. Aqui em casa tem carrinho, heróis, bonecas, panelinhas, às vezes eles misturam tudo e brincam juntos; outras vezes fica cada um com os seus brinquedos, até que um dia presenciei o casamento das Princesas com os heróis (será que daria certo?). E esse é o jeito deles, que também traz muita identidade para a nossa família.

Apesar da correria, canseira e muitas vezes me sentindo desnorteada,  consigo olhá-los à minha volta, cada um buscando o seu canto no meu colo, e tem vezes que deixo os dois e digo que vou ficar com o papai, em outras ficamos os quatro juntos, e em dado momento ainda temos a oportunidade de vê-los dormindo e não conter a emoção e gratidão por ter filhos tão lindos, mas que acima de tudo são tão nossos e tão cheio de nós, da nossa identidade, do nosso gene misturado, e com aquilo que eles trouxeram consigo, o que é deles. Isso tudo é muito mágico e isso tudo compõe a nossa família.

Quem somos, o que somos, o que construímos, o jeito que construímos, o nosso: nosso lar, nossa vida, nossa história.

Parei hoje e, ao invés de falar sobre responsabilidades, deveres, preocupações, quis apenas olhar a vida, do jeitinho que ela é, do jeito que a gente é. Sei que o tempo vai passar, como passou para aquela adolescente, e daqui a pouco esses dois estarão seguindo as suas vidas, mas o que fizermos, o que ensinarmos e vivermos, isso vai ficar na nossa memória.

Tags: , , , ,


Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


4 Responses to 2 filhos, 3 amores em um coração

  1. Keila says:

    Como sempre emocionante…. Faz relembrar dos sentimento que tive com os meus e quando os seus filhos chegaram….. Obrigado

  2. Emily says:

    Emocionante, um pouco de nós mães… Parabéns muito lindo!

    • Livia Marina says:

      Acho que é sempre assim Emily, todas nós passamos pelas mesmas coisas, uma com mais intensidade e outras com menos mas esse universo é recheado das mesmas coisas…. Obrigada por nos prestigiar por aqui !!! Um abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar para o Topo ↑