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Publicado em 23/04/2018 | por Alessandra Paula Nunes

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Comer ou jejuar

Estamos acostumados a ver pessoas jejuando por motivos religiosos, com a ideia de fazer penitência. A novidade agora é que muitos estão usando o recurso de fazer jejum para reduzir peso. O nome dado à essa nova estratégia é “jejum intermitente”, onde alterna-se períodos de alimentação com períodos de jejum.

Não podemos ser levianos a ponto de condenar a prática sem antes analisar os prós e os contras. Então, vamos entender como o organismo reage ao processo.

Quando acabamos de comer, o organismo precisa dar um destino para a energia absorvida em forma de glicose. Assim, ele ativa a insulina, que será a responsável por transportar a glicose para as células. A glicose que não será utilizada pelas células será armazenada em forma de gordura, no tecido adiposo. Quando ficamos longo tempo sem se alimentar, o organismo é obrigado a usar essas reservas. Assim, ele utiliza tanto o glicogênio, uma forma de energia armazenada nos músculos, quanto o tecido adiposo, ativando o hormônio glucagon, que atua na utilização dessa gordura armazenada com a finalidade de fornecer energia. Quanto mais tempo ficarmos em jejum, mais tempo o glucagon fica atuando no organismo, o que facilita a perda de peso.

Então, para seguir o protocolo do jejum basta apenas definir o tempo que ficará sem se alimentar. Os protocolos mais utilizados são:

  • 16/8: Onde o indivíduo se alimenta por 08 horas e jejua por 16 horas. No período de alimentação é permitido fazer de 02 a 04 refeições controladas. O horário recomendado para o jejum é das 12 às 20 h ou das 13 às 21h
  • Eat-Stop-Eat (Coma-Pare-Coma): o método preconiza jejuar por 24 horas duas vezes/semana. Um exemplo é realizar o jantar até as 19h e não comer mais nada até as 19h do dia seguinte.
  • 5/2: Onde se restringe o consumo a 500 ou 600 Kcal por 02 dias na semana, enquanto nos outros 05 o indivíduo se alimenta normalmente.

Temos benefícios?

Se realizada corretamente, e com o acompanhamento nutricional e médico, os protocolos de jejum podem sim trazer benefícios. Além do emagrecimento, reduz a resistência à insulina, diminuindo o risco de diabetes tipo 2; reduz colesterol LDL, ajuda na ativação de células nervosas, sendo um possível fator de prevenção contra a doença de Alzheimer, e alguns estudos mostram que pode aumentar a longevidade.

Mas os malefícios também são inúmeros:

  • Tendência a compulsão – por ficar muito tempo sem se alimentar, é comum que o indivíduo queira comer mais do que o necessário para compensar, principalmente se a dieta habitual for rica em carboidratos ou se está acostumado a comer de 03 em 03 horas. Outra forma compensatória e totalmente perigosa é comer excessivamente antes de iniciar o jejum, como um mecanismo de defesa, já que passará 16 ou 24 horas com o estômago vazio.
  • Acúmulo de cortisol – o hormônio do stress. O organismo ativa o hormônio cortisol para mobilizar as reservas de energia.
  • Insônia – afinal de contas quem consegue dormir com fome? Altos níveis de cortisol e a ativação do neurotransmissor Hipocretina podem provocar insônias.
  • Feito por longo prazo e sem o acompanhamento profissional pode levar à problemas como desnutrição, hipoglicemia, fraqueza muscular, dificuldade de concentração.

Gestantes, lactantes e adolescentes não devem fazer esse protocolo, assim como pessoas com histórico de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Também não se deve praticar atividade física no período de jejum.

Antes de adotar qualquer método restritivo, cerque-se de profissionais capacitados para avaliar os prós e contras. Nenhum recurso é efetivo se for feito com radicalismo.

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Sobre o autor

Alessandra Paula Nunes

Nutricionista clínica e esportiva (a nutri dos esportes de combate!). Mãe do João e esposa do cubano Paco Garcia, a lenda do boxe brasileiro! Adora livros (ler e escrever), viajar, trabalhar e não fazer nada de vez em nunca. É ligada no 220 e fã do bom uso das redes sociais. Ah, e o seus pacientes a amam!


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