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Publicado em 18/02/2017 | por Livia Marina

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Começando de novo

Quando comecei a escrever essa coluna, há quase dois anos, estava meio sem rumo vagando no universo materno com os meus dois filhos. Já havia desmistificado a maternidade, já havia descoberto o que não teria mais volta mas e…. aí, seria somente isso?

Não dava conta do turbilhão existente na minha cabeça. Um misto de vontade de fazer outras coisas, medo de fazer outras coisas. Até que aceitei o convite da minha editora e amiga para escrever e contar histórias do misterioso e incrível mundo da maternidade nesta coluna.

No dia 22 de maio de 2015 saiu o primeiro texto (não leu? Veja aqui!). Fiz a divulgação nas redes sociais e à noitinha fomos para o aniversário do meu sobrinho! Não vou esquecer o que vivi naquela noite! Uma mistura de sensações gostosas. Não foi apenas por conta dos vários elogios, mas por sair do universo das fraldas e papinhas e lembrar que eu poderia fazer mais coisas, que eu sabia fazer mais coisas, no caso: escrever! É interessante o processo que passamos pós-maternidade, pra dizer a verdade nem sei se todas as mulheres passam por tantos questionamentos como eu passei. A minha identidade profissional foi desconstruída, e embora eu me sentisse mais capaz e melhor do que antes, no fundo no fundo não sabia quem eu realmente era!

Começar a escrever me deu um fôlego, um ânimo, me trouxe de volta ao universo das competências, do legado, como se fizéssemos as pazes com nossos talentos.

Nesse universo materno existe uma diversidade incontável de jeitos de “ser mãe”. Descobrimos em nós e nas outras mães jeitos singulares de pensar, agir, reagir… Aprendi muito com essa multiplicidade porque me senti livre para buscar o meu jeito de ser mãe. A questão é que com tudo isso vem também os julgamentos, as opiniões e o que mais uma mãe conhece: os famosos palpites. Isso sem contar as pesquisas castradoras do tipo: “Estudos mostram…”.

Nesta época, eu estava me certificando de que era só uma questão de tempo para eu voltar a trabalhar, só que em uma outra configuração, com tempo dividido entre trabalho, casa e filhos. E isso era cada vez mais certo, mas não sabia nem quando e nem como.

O tempo passou e quando, em janeiro de 2016, Théo ingressou na escolinha – vocês lembram desse post? – sabia que era chegada a hora. Havia caminhado com ele tudo o que caminhara com a Luiza, até um pouco mais. E como que por mágica surgiu uma oportunidade profissional: um convite para fazer um trabalho de coach em um Curso preparatório para o exame da Ordem dos Advogados.

Não hesitei e – mesmo não tendo a menor ideia de como iria executar esse projeto – decidi aceitá-lo. Era uma luz no fim do túnel ! E foi mesmo ! Sentia cada vez que eu entrava em sala que eu estava honrando a minha vocação, o meu chamado e isso me fez crescer como mulher, pessoa, esposa/companheira e principalmente como mãe. As crianças começaram a criar essa identidade. Luiza, em casa brincando, pegava minha bolsa, os meus óculos, colocava o meu sapato e falava: tchau, vou fazer coaching.

Para ajudar nesse momento, no ano passado voltei à sala de aula para me atualizar. E foi outra sensação ímpar de ser inteira! E então outras oportunidades começaram a surgir, os atendimentos individuais foram aparecendo e, por fim, no final do ano passado os treinamentos em empresas com equipes e grupos de lideranças. Hoje me sinto de fato inserida novamente no mundo corporativo, aspirando muitas possibilidades, e administrando e conciliando as agendas para que o acompanhamento das crianças aconteça da forma como sempre quis.

Tenho um longo caminho pela frente e já espero falhar em algum momento, lembrando que reconhecer as nossas limitações nos permite ser menos duras com a gente mesma, particularmente na hora da adversidade ou nos impasses que a vida oferece.

O importante é que hoje me sinto mais inteira, mais feliz, e não é porque estou trabalhando novamente, mas porque me reencontrei em meu caminho. Vejo mães lutando com a sua essência oprimida por opiniões, culpas, acusações, seja de qual lado for. Fui questionada por deixar a minha carreira, por deixar as contas “nas costas do marido”. Há mães que gostam de fazer bolo, lavar a roupa da criança na mão, fazer o pão de merenda todos os dias, e se isso traz realização e felicidade, pronto, é esse o caminho.

Certamente esse trajeto teria sido menos penoso se eu tivesse me programado. Foi complicado administrar as finanças só com um salário, e por essa razão meu marido ingressou na carreira acadêmica. Tudo, olhando hoje, contribuiu. Mas também foram penosas as visitas ao médico sozinha, foi difícil administrar as noites de sono tendo que socorrer os meus filhos, muitas vezes sozinha porque meu marido precisava descansar das 14 horas de trabalho. Tudo isso acrescentou, moldou e, acima de tudo, me colocou no caminho que eu tanto ansiava e no qual irei seguir, crescendo sempre e vendo os meus filhos crescerem também, sem que pra isso eu tenha que escolher uma das partes da minha vida.

Uma coisa é certa: hoje nas minhas apresentações eu não falo mais “Quando minha filha nasceu, eu parei de trabalhar”, e sim “Quando minha filha nasceu eu aprendi novas habilidades e hoje trago todas elas no exercício da minha profissão”.

Esse foi o meu caminho! O que eu mais quero é que todas as mães tenham a possibilidade e oportunidade de encontrarem os seus caminhos, para que a certeza que ecoar dentro do peito seja mais alta e forte do que das pressões de fora.

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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