Comportamento coach comigo logo-01

Publicado em 03/08/2017 | por Vanessa Cosentino

1

As lições mais importantes

Eu sempre fui uma pessoa muito prática e as explicações muito teóricas me deixavam confusa. Entender as questões da vida e os aspectos de minha mente sempre foram um pouco obscuros pela dificuldade que tinha de torná-los palpáveis. Talvez esse tenha sido o gancho para que me encantasse com o assunto e desejasse me aprofundar cada vez mais.

Depois de anos de autoavaliação solitária, tomei uma decisão que seria fundamental para minha vida pessoal e profissional, decidi, finalmente, fazer aulas de yoga. Foi então que as questões de ordem “filosófica”, tal como “o seu ego vai te atrapalhar”, ganharam exemplos práticos nas aulas, que me permitiram entender como isso funcionava.

Enquanto eu estivesse tentando alcançar uma postura apenas por conquistá-la, eu não conseguiria fazê-la de jeito nenhum. Ela somente fluiria quando eu tivesse me entregado totalmente, sem vaidade e sem competição. E eu aprendi que essa regra valeria também para vida fora do mat (tapete de yoga).

Outra grande lição que aprendi é que as posturas que você tem mais dificuldade são exatamente aquelas que você tem que praticar mais vezes. Óbvio? Não exatamente! A dificuldade aqui não está relacionada à complexidade, mas sim ao desconforto que ela te provoca e, por isso, ela se torna difícil para você. Naturalmente, a opção mais fácil seria não fazê-la mais, já que incomoda tanto. Fazemos isso com coisas da vida, não?

Para mim, as posturas complexas não me incomodavam, aliás, adorava tentar fazê-las, era um prazeroso desafio. O que me atormentava mesmo eram as posturas de permanência. Meu Deus! Ter que ficar imóvel durante 2 minutos em uma posição simples e relaxada me tirava do sério.

E quando eu ameaçava desistir, meu professor sempre me lembrava de que o aprendizado que eu precisava viria exatamente desse desafio. E não é que ele estava certo? A permanência me ajudou a domar a minha ansiedade e acalmar os pensamentos.

A questão que trago para que você reflita, traçando um paralelo com as posturas é que durante a nossa passagem aqui nesse planeta teremos vários desafios pela frente. Algumas pessoas se deixam levar pelas circunstâncias e outras tentam assumir o controle o máximo possível, porém, em ambos os casos, fracassos, derrotas, perdas e outros revezes ocorrerão inevitavelmente.

Como já é de nossa natureza, tentaremos evitá-los a qualquer custo, sem saber que são exatamente essas lições que não queremos é que serão as mais importantes. Neste mês de agosto comemoramos o dia dos pais e com ele me vem uma amarga lembrança. Perdi o meu pai no final de 2016. Ainda está muito recente e enfrentar essa data, a mídia, as redes sociais e todo mundo celebrando seus amores paternos será um tormento. Porém, essa batalha eu já travo todos os dias, silenciosamente.

Meu pai era um cara incrível! Não escondo a minha admiração por ele. Era meu herói, meu exemplo e meu porto-seguro. Nunca experimentei uma dor tão insuportável e não estava pronta para isso. Aliás, quem está, não é?

Mas a minha formação, todo o conhecimento que adquiri, todos os exemplos que ele me deu, tudo que vivi, as lições aprendidas, minha espiritualidade me ensinaram que eu tenho dois caminhos: desistir ou enfrentar. Desistir significa sucumbir à dor e não assumir o meu novo papel. Enfrentar um revés desse calibre para mim ou para você, que possa estar passando por algo semelhante, significa assumir a sua responsabilidade na situação toda.

E você vai me perguntar, qual a responsabilidade que uma pessoa tem quando outra morre? Ou quando é demitida , ou acontece um acidente, ou perde algo de valor inestimável e outras tantas situações que parecem obra de um destino caprichoso e impiedoso.

Se você fez todo o seu possível e nada adiantou, ainda resta algo que você pode fazer. É sua responsabilidade se perguntar o que você pode aprender com tudo isso? O que a vida está tentando te ensinar? Como você pode usar esse aprendizado a seu favor?

Eu recomendo que você faça isso. Separe uns minutinhos para essa reflexão. Tente aquietar-se e colocar um pouco os sentimentos de lado. Faça essa pergunta para você mesmo e espere em silêncio a resposta. Ela virá. Nós somos sábios, porém escondemos a verdade de nós mesmos. Faça a pergunta e ela virá. É a oportunidade de sermos um pocadinho melhor do que fomos ontem.

Meu pai me ensinou muita coisa, mas definitivamente, sua última lição está sendo a mais difícil, mas também acho que a mais valiosa. Celebro todo o legado que ele me deixou em vida e mantenho dois pensamentos fortalecedores que estão me ajudando nesse momento: que um dia vamos nos encontrar em outro plano e que por agora eu quero que ele se orgulhe de mim assim como eu sempre me orgulhei dele.

Para você, a conduta é a mesma, cerque-se de pensamentos fortalecedores, mesmo que nas situações mais desfavoráveis e você verá o poder que tem dentro de si.

Seja mais!

Tags: , , , , , , , ,


Sobre o autor

Coach de vida pessoal e carreira. Formada pela Sociedade Brasileira de Coaching, vem se dedicando a orientar as pessoas a promoverem transformações positivas em suas vidas. Não vive sem cinema e música. E recarrega as baterias na prática de Yoga.


One Response to As lições mais importantes

  1. Vinicius says:

    Essa menina é danada, as vezes precisa de um puxão de orelha, mas é DANADA. Orgulho de ser seu amigo, seu colaborador na apresentação de um pouco do Yoga e muito mais orgulhoso pelo ser-humano, que você é. Sabia que o texto seria mais um dos bons, assim como tantos outros escritos por vc, e pode dar alguns bons grãos para o ego, ele merece.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar para o Topo ↑