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Publicado em 12/12/2018 | por Livia Marina

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A autonomia (nossa e dos filhos)

Fim de ano é momento de autorreflexão, autoavaliação, também é tempo de decidir o que vai ficar e o que vamos levar para o próximo ano. Faço isso em vários aspectos da minha vida, mas em especial esse ano eu notei que alguma coisa no meu modo de ser mãe deve mudar.

Quem me acompanha sabe da minha intensidade, do meu jeito de ser mãe, das minhas escolhas…enfim, essa sou eu! E depois de quase 9 anos de maternidade, obviamente que já me aceito, mas essa auto análise deve acontecer sempre para que a gente evolua e porque os beneficiários diretos são nossos filhos. Esse ano eu tive experiências mais intensas com a minha filha Luiza. Os desafios da escola me colocaram a prova do quanto estou preparada para assumir novos desafios profissionais. Sim, as provas nos colocaram no momento crucial e desafiador em que a autonomia precisa ser praticada com mais frequência.

Penso que algumas mães, assim como eu, por estarem bem próximas dos seus filhos, se sentiram responsáveis pelas notas das crianças. Obviamente tem crianças que apresentam maior dificuldade e que em nada se relaciona com a dedicação da mãe, elas precisam de uma atenção profissional mais de perto. Não é o caso da Luiza, mas no ultimo mês pude me avaliar como mãe e descobrir que a responsabilidade precisa ser assumida pela criança.

Em outubro, na nossa viagem, tiramos a Luiza durante 15 dias das aulas, provas e novos conteúdos, o que nos causou um certo prejuízo. Desde que voltamos, fiquei todas as manhãs com ela ensinando as matérias e estudando para as provas que ela perdeu e as últimas de final de ano. Foram dias penosos, desgastantes, que, apesar de já saber que enfrentaríamos, nos cansaram muito.

Nesse tempo percebi o quanto ela estava dependente de mim a ponto de confundir de quem era aquela responsabilidade das tarefas ou do próprio estudo. Isso me assustou, mas naquele momento não dava pra fazer nada a não ser estudar e entregar as tarefas nos prazos. Porém o desconforto que me causou foi real. Sem culpa ou julgamento, mas me deparei com a necessidade de mudar. Consegui até fazer alguns pequenos “reparos” depois das provas, com algumas lições, e conversei muito com a filhota sobre o próximo ano, que as responsabilidades irão aumentar e que eu não necessariamente poderei acompanhar tão de perto as tarefas que são dela. Então nesses últimos dias deixei que ela fizesse as suas lições e só quando teve dificuldade eu a ajudei.

Ficou muito claro que esse contexto é desfavorável para mim quanto para ela, como se fosse uma codependência. Ela de mim e eu da necessidade de que ela dependa de mim. Certamente isso passa pelo fato da aceitação de que ela está crescendo e já está mais para uma mocinha do que para uma menina. E como é que a gente faz? Aceita e prepara para que eles possam dar conta de viver sem a gente. Li esses dias que “filho é uma oportunidade de entregar ao mundo a sua melhor versão” e desenvolver a autonomia e a responsabilidade é o melhor caminho para isso.

Essas questões passam também pelo fato de que temos a nossa realização e que às vezes nos escondemos nessas funções, e certamente não daremos conta. São nossas sabotagens, e olha que se tem um ser na vida que se sabota somos nós mães. Tudo em nome do amor, desse tal sentimento incondicional de que se não nos atentarmos, nos coloca em condições desfavoráveis. Segundo, terceiro,quarto ou outro plano qualquer.

É preciso estar atenta. São várias as armadilhas que podem nos tirar do nosso foco por insegurança, medo, excesso de cuidado. A verdade é que além de nos mesmas, quem mais saem prejudicados são nossos filhos. Então nesse final de ano, ao invés de fazer uma lista de coisas do que quero realizar em 2019, tem uma lista de coisas que quero conquistar através de algumas mudanças em mim. E ver meus filhos crescerem lindos, independentes e responsáveis, com uma mãe que, além dessa missão divina, carrega sonhos e desejos pelos quais têm que lutar de frente todos os dias.

PS. Quero dedicar esse texto de hoje a todas as mulheres que passaram pela minha vida profissional. Tive um grupo de coaching com mulheres mais velhas buscando a sua autonomia para correr atrás dos seus sonhos porque sonharam a vida dos seus filhos, viveram as vitórias dos seus filhos e hoje precisam ressignificar os seus objetivos. Obrigada por me ensinarem tanto!

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Sobre o autor

Psicóloga com especialização em coaching. Depois de anos atuando em RH, hoje se divide na educação de seus filhos, Luiza e Théo, e nos trabalhos como coach. Sempre interessada no comportamento humano, vive as nuances (e também as neuroses) de uma mulher em busca de sua plenitude. Todo esse universo tão particular é transmitido através da escrita, uma de suas maiores paixões.


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