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Publicado em 18/09/2017 | por Vanessa Cosentino

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A armadilha do perfeccionismo

Para reconhecer um perfeccionista mesmo, daqueles nível hard (bem característico), pergunte se ele se acha perfeccionista e ele rapidamente listará um milhão de coisas que faz errado. Quem, se não alguém fixado na ideia de perfeição, colocaria tanto foco na análise de como é o seu desempenho e saberia listar com precisão as suas falhas?

É claro que isso é uma brincadeira. Não é apenas por essa fala que você pode reconhecê-los, mas serve como um indício. Eu costumo dizer que existem 3 tipos de perfeccionistas:

– Preocupado com a metodologia

Para ele existe um jeito certo de fazer as coisas e o seu jeito é o melhor. Já que ele passou horas de sua vida dedicando-se a esse aperfeiçoamento. Mesmo que em seu íntimo ele ache que não está tão bom assim, sente que pode se esforçar ainda mais na próxima, desde que mantenha a metodologia, porque é ela que está certa, o seu desempenho é que não foi suficiente.

Esse tipo de pessoa não está tão preocupado com o resultado final, mas com a forma como as tarefas devem ser desempenhadas. Ele tem muita dificuldade em mudar e não vê com bons olhos pessoas que o fazem. Tende a ter muito medo do novo e de se expor.

– Preocupado com o resultado final

Esse é o mais clássico. É aquele que nunca entrega o relatório porque tem sempre um detalhe a mais para incluir, mais uma revisão a fazer ou mais um acerto que deve ser incluído. Ele acaba perdendo os prazos de entrega, ou pressionado pelos seus superiores acaba entregando algo que, sob a sua ótica, está ruim.

Constantemente lida com a frustração e com o que considera ser a sua incompetência ou lentidão para agir. Sente-se inferior aos outros, mesmo que seus colegas e até seu superior elogiem o seu trabalho. E por diversas vezes entrega muito mais do que foi solicitado. Mesmo assim, não está convencido da qualidade daquilo que executou.

– Preocupado com a metodologia e o resultado final

Esse, meu amigo, é uma pessoa de difícil convivência mesmo. Bastante crítico dos outros e um cruel algoz de si mesmo, nada do que você fizer irá agradá-lo. Mesmo que você siga os passos dele, provavelmente não o fará com o nível de habilidade exigida. E nem ele mesmo. É um grande desafio ser seu subordinado, pois a pessoa terá pouca ou nenhuma autonomia para desempenhar as suas funções.

A pessoa que tem ideal de perfeição nunca está satisfeita consigo mesma e por isso evita arriscar e tentar novos movimentos. De tanto olhar somente para a sua imperfeição acaba acreditando que é alguém sem competência e a realização do seu desejo de impressionar pela precisão, beleza ou qualquer outro padrão vai ficando cada vez mais distante.

O perfeccionismo é um traço de personalidade altamente sabotador. Ele funciona como uma muleta: “já que não posso fazer o melhor bolo da cidade, nem vou fazer” e o mundo acaba perdendo um confeiteiro, além dessa pessoa ter se sabotado. A perfeição é como a linha do horizonte, ela é inatingível. Serve como um parâmetro distante para que as pessoas balizem suas avaliações, porém ela não deve ser levada ao pé da letra.

É inegável que temos exemplos de excelentes profissionais que nos apresentaram suas criações incríveis, sempre pautadas em fazer melhor. Porém, existe uma diferença entre ser melhor e perfeito. Um dos principais equívocos que as pessoas cometem é escolher um modelo de sucesso e comparar com aquilo que está prestes a fazer.

Certa vez, uma pessoa me disse que não seria roteirista porque jamais poderia escrever roteiros como o Steven Spielberg e, portanto, nem iria começar. E então eu perguntei, mas a qual fase do Spielberg você se refere? Ao seu começo de carreira (provavelmente ele escreveu muita coisa ruim) ou algum blockbuster? Percebe como é uma comparação cruel? Uma pessoa em começo de carreira pode ter e deve ter um modelo de profissional a seguir, mas deve ter em mente que esse profissional começou como ele, fazendo coisas não tão boas e depois de muito esforço e tempo conseguiu se aprimorar.

Quem nunca ouviu: “só vou começar o meu projeto quando tiver as condições ideais”. E esse projeto nunca foi feito. Condições ideais? Será que elas existem? Esperar que algum fator externo determine a sua atitude pode colocá-lo no papel de coadjuvante de sua própria vida. Mario Sergio Cortella tem uma frase excelente e que uso para a nossa reflexão: “você está fazendo o seu melhor, na condição que você tem, enquanto não tem condições de fazer melhor ainda?”

É simples, faça mesmo que não seja perfeito. Mesmo que não esteja no nível que você gostaria, porém, continue, seja consistente e um dia você perceberá que está muito melhor do que quando começou. Ao se comparar com grandes modelos, veja também o quanto você já se distanciou em sua jornada. É certo que todas as pessoas que você admira começaram com um primeiro passo, meio tímido, meio desengonçado, porém não desanimaram e seguiram até tornarem-se as suas melhores versões.

Imagina se, quando criança, você decidisse que não iria tentar andar, porque não consegue correr como o Usain Bolt? Certamente, você jamais estaria andando hoje. Crianças não tem noção de perfeição e é por isso que elas se desenvolvem tão rapidamente. Sem medo de errar.

Então, se você se identificou com algum aspecto do perfeccionismo, que tal resgatar o seu desembaraço infantil? Tenho certeza de que ele está dentro de você!

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Sobre o autor

Coach de vida pessoal e carreira. Formada pela Sociedade Brasileira de Coaching, vem se dedicando a orientar as pessoas a promoverem transformações positivas em suas vidas. Não vive sem cinema e música. E recarrega as baterias na prática de Yoga.


One Response to A armadilha do perfeccionismo

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